Vivi Seixas revisita o pai, Raul, em Maringá

  • 13 de novembro de 2013
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Ser filha de uma lenda da música não ofusca a carreira de Vivi Seixas. Muito pelo contrário. Em meio a toca-discos, mixers e fones desde 1998, a filha do roqueiro Raul Seixas é reconhecida como uma das melhores DJs de house do Brasil, inclusive ganhando prêmios e se apresentando em famosas casas noturnas da América Latina.

Frequentou o curso Pyramind, Media & Music Production School na cidade de São Francisco, uma das mais renomadas escolas de música dos Estados Unidos. Durante o período na Califórnia tocou ao lado de grandes estrelas internacionais como Dj Sneak, Hector Moralez e Tony Hewit.

Com o nome consolidado na música eletrônica, Vivi lançou este ano o álbum “Geração da Luz”, um tributo ao seu pai. Neste trabalho, ela traz versões remixadas – ou “metamorfoseadas” – de grandes sucessos de Raul Seixas. Com a ajuda dos DJ’s e produtores Mike Frugaletti e Plínio Profesta (ganhador de um Grammy Latino) misturou os registros a capela do pai com hip hop, rock, drum and bass, deep house, e outros ritmos. “Ele adorava mudar, evoluir e misturar estilos, por isso eu não tive medo de ousar”, afirmou.

Parte desse trabalho será apresentada no próximo sábado (16) no Clube Hípico de Maringá, durante a Atari Party, a festa de aniversário do Atari Bar. Em entrevista por e-mail à Gazeta Maringá, a DJ falou da carreira, sobre o cenário da música eletrônica no Brasil e afirmou que não se importa ao ouvir o famoso apelo “toca Raul”.

Gazeta Maringá: Como surgiu seu gosto pela música eletrônica?

Vivi Seixas: Já curtia Pink Floyd e New Order desde pequena. Pink Floyd foi o primeiro som psicodélico que me fez viajar. Depois, New Order me encantou com suas batidas modernas e viajantes. Em 1998, fiz uma viajem de intercâmbio para a Austrália e lá fui ao meu primeiro festival de música eletrônica. Foi onde tudo começou.

Este ano você lançou um tributo ao seu pai. Como surgiu a ideia e como foi esse processo?

Tinha um grande material do meu pai guardado – ‘a capela’ – e fui convidada pela Warner para fazer remixes das músicas dele. O álbum está super bem produzido, com participações de músicos que gosto muito como Donatinho e Arnaldo Brandão.

Raul é um ícone do rock e muitos de seus fãs seguem a linha “xiita”. Como tem sido a reação deste público ao ouvir as músicas de seu pai com a batida eletrônica?

Muitos reclamam sem nem mesmo escutar, depois que escutam gostam. Tive um ótimo feedback [retorno] e estou muito satisfeita com os resultados.

Acha que Raul gostaria destas novas versões?

Meu pai era super cabeça aberta, misturou rock com baião, foi um dos primeiros a se arriscar num rap com a música “Metrô Linha 473”. Tenho certeza que ele ficaria amarradão para coisas novas.

Antes desse trabalho, chegou a ouvir muita gente pedindo “toca Raul”?

Sempre escuto. Uns fazem pra implicar comigo, outros realmente querem escutar Raul. Não me incomoda nem um pouco. Me divirto.

Quais são as lembranças mais marcantes que você tem ao lado de seu pai?

Ele era um pai muito carinhoso e extremamente engraçado. Lembro de coisas de criança, brincadeiras como os personagens que ele criava pra me divertir.

Raul Seixas foi um dos maiores ícones do rock nacional. Para muitos, este gênero perdeu força nos últimos anos. Você concorda com isso? O que falta no rock brasileiro hoje?

O que falta? Falta um gênio como meu pai. Ah, e menos axé e funk.

Como você avalia o cenário da música eletrônica no Brasil?

A cena mudou um pouco. Hoje em dia DJ também é produtor. Você tem mais oportunidades quando produz suas próprias tracks. Os DJs e produtores brasileiros não ficam mais atrás de gringos. Estão sendo super respeitados e falados lá fora.

Hoje é muito comum encontrar celebridades se apresentando como DJs. Você acha que isso desvaloriza a profissão?

No passado foi a modinha de modelos ‘atacando ‘ de atores. Agora a modinha são as celebridades ‘atacando’ de DJs. Essa moda vai passar e vão surgir outras. Acho que isso se deve ao fato da tecnologia ter facilitado muito as coisas para os aspirantes a DJs.

Como a tecnologia facilitou?

Hoje, qualquer um chega com um set pronto, treinado em casa. Treina cada virada, dá para saber se uma música está no mesmo tom da outra. Tem programa que até mixa pra você. Por isso que sou super a favor da volta do vinil. Aí não tem enganação. Ou sabe ou não sabe.

O que o público pode esperar de sua apresentação em Maringá?

Espero que eles se divirtam tanto quanto eu vou me divertir. Podem esperar muito groove e swing.

 

Fonte: Gazeta Maringá

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